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Semaglutida e tirzepatida – Há duas décadas, emagrecer 5% do peso era motivo de comemoração no consultório, e quem não alcançasse a marca em três meses ganhava o rótulo de “não respondedor”. Hoje, um único medicamento faz cerca de nove em cada dez pessoas ultrapassarem esse patamar —e é essa virada que sustenta a nova diretriz do American College of Physicians (ACP), entidade que reúne os médicos internistas dos Estados Unidos, publicada na segunda-feira (15) na revista científica Annals of Internal Medicine.

O documento estabelece a semaglutida e a tirzepatida —as “canetas” que imitam hormônios intestinais ligados à saciedade— como primeira opção quando se decide tratar a obesidade com remédio, sempre ao lado de mudanças no estilo de vida.

Fernando Valente, coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e um dos autores da diretriz brasileira sobre obesidade e risco cardiovascular, explica que um documento como esse é, antes de tudo, uma bússola de conduta, e que seu público faz diferença.

O que o Brasil já recomendava
A diretriz americana não chega a um país desavisado. Em 2025, cinco entidades —a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a própria SBD, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Academia Brasileira do Sono (ABS)— publicaram em conjunto uma diretriz que já colocava semaglutida e tirzepatida no centro do tratamento. A diferença está na lógica de cada documento.

Enquanto o ACP propõe uma escada de medicamentos, da primeira à quarta linha, pensada para orientar o clínico geral, o texto brasileiro parte do risco cardiovascular do paciente. Ele estratifica cada pessoa por sua probabilidade de infarto, AVC e insuficiência cardíaca —com apoio de uma calculadora chamada escore PREVENT— e, a partir daí, indica o remédio. Os protagonistas, porém, são os mesmos.

Fonte: Diário Do Brasil

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