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Considerado uma das maiores autoridades em melanoma e imunoterapia, Antonio Carlos Buzaid comandou centros de refer~encia de prestígio, como Yale e MD Anderson, nos Estados Unidos. Aqui, é conhecido pela dedicação aos pacientes, à pesquisa e à divulgação de informações sobre prevenção e tratamento do câncer, doença que, segundo ele, “tende a se tornar a principal causa de morte no mundo nas próximas décadas” — embora problemas cardiovasculares ainda liderem esse ranking global. À frente do Centro de Oncologia dos hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, em São Paulo, Buzaid mantém uma rotina intensa de trabalho e ampliou sua atuação ao cofundar, em 2014, o Instituto Vencer o Câncer, ao lado de dois amigos, Drauzio Varella e Fernando Cotait Maluf.

Recentemente, o oncologista tem defendido com frequência o papel da alimentação na prevenção do câncer e na manutenção da qualidade de vida. Em sua casa, diz priorizar alimentos orgânicos — um custo maior que considera investimento em longevidade saudável. Em entrevista concedida no último domingo, 25, explicou por que associa adoçantes, excesso de carne vermelha e ultraprocessados ao aumento do risco de doenças. Entre os pontos discutidos, no bate-papo, que está abaixo, afirmou que a alimentação pode ser gatilho de um terço dos casos de câncer.

Letra de Médico – Antonio Carlos Buzaid
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Por que a alimentação virou um tema tão importante na prevenção de doenças? Porque alimentação saudável é o maior investimento que alguém faz na própria saúde. As pessoas ainda não entendem isso. Acham que comer mal ou bem dá no mesmo, mas não dá. Como oncologista, vejo todos os dias o impacto dos hábitos de vida. Saúde não é tudo, mas sem ela você perde quase tudo.

Há evidências científicas ligando dieta e câncer? Muitas. Cerca de um terço dos cânceres no mundo hoje decorre de dieta inadequada. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve aumento importante do câncer de cólon em pessoas jovens, em parte associado ao padrão alimentar americano: excesso de proteínas, frituras e baixa ingestão de fibras. Isso levou à redução da idade recomendada para colonoscopia, que caiu de 50 para 45 anos.

A alimentação influencia o sistema imunológico? Totalmente. O sistema imune é modulado pelo que você come. Gorduras ruins e ultraprocessados favorecem bactérias intestinais prejudiciais, o que pode reduzir a eficácia da imunidade. Hoje sabemos que o microbioma intestinal influencia diretamente a resposta do organismo. No tratamento de imunoterapia, por exemplo, a alimentação inadequada pode diminuir resultados. Se o paciente come mal, o sistema imune funciona pior. Já uma dieta rica em fibras, vegetais e alimentos naturais pode favorecer o microbioma e melhorar a resposta imunológica.

Quais alimentos deveriam ser priorizados? Vegetais, verduras, legumes, feijão, lentilha, frutas inteiras, peixes e alimentos minimamente processados. Também é importante priorizar fibras em grande quantidade. A alimentação deveria se aproximar mais do que é natural.

E quais hábitos deveriam ser evitados? Ultraprocessados, carnes processadas, excesso de açúcar, refrigerantes e carboidratos refinados. Sucos também merecem atenção porque concentram açúcar e eliminam fibras da fruta. O ideal é consumir a fruta inteira.

O excesso de peso também entra nessa equação?A obesidade costuma estar associada a níveis elevados de insulina. A insulina alta é pró-inflamatória e pode favorecer mecanismos relacionados ao câncer. Tudo isso está interligado: peso corporal, alimentação, metabolismo e risco de doença.Escolas deveriam estimular alimentação saudável desde a infância. Criar hábitos alimentares cedo significa reduzir o risco de doenças no futuro.

Em resumo, qual seria a principal mensagem? Comer saudável parece mais caro no presente, mas no longo prazo custa menos do que tratar doenças. Alimentação saudável não é gasto: é investimento em décadas de vida.
Com informações de VEJA

Fonte: Diário Do Brasil

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